Ao longo dos anos, acompanhei milhares de estudantes que passaram pela SEDA.

Cada um deles trouxe uma história, um sonho, um motivo para cruzar fronteiras e recomeçar.

Mas, de vez em quando, surge alguém cuja trajetória nos lembra por que a educação vai muito além de ensinar um idioma.

Vai além do diploma. Vai além do mercado de trabalho.

A educação, quando encontra propósito, forma seres humanos capazes de enfrentar o impossível.

Ela foi uma das primeiras alunas inglesas da SEDA na Irlanda.

Jovem, disciplinada, cheia de sonhos — entre eles, o desejo de engravidar e construir uma família.

Até que, de repente, tudo parou.

O diagnóstico de câncer do colo do útero virou sua vida de cabeça para baixo e trouxe medo, incertezas, dores físicas e emocionais.

Mas o que poderia ter sido um fim se tornou o início de um novo capítulo — um capítulo guiado por fé, coragem e uma força que poucos têm.

Durante o tratamento, ela passou por uma histerectomia radical e 25 sessões de radioterapia.

Cada uma deixou marcas no corpo — mas fortaleceu ainda mais sua fé.

Ela descreve esse período como um momento de revelações, consolo e presença divina.

E eu acredito nisso.

A educação que vivemos na SEDA me ensinou que as maiores transformações acontecem do lado de dentro, nos lugares que ninguém vê.

Ao finalizar o tratamento, já em Dubai, algo reacendeu dentro dela: a chama de competir novamente.

Com apenas um mês de treino, voltou ao tatame — e venceu. Aquele ouro não era uma medalha; era um renascimento.

Depois veio o vice-campeonato mundial.

E a promessa íntima: “volto no ano que vem para buscar o topo”.

Ela mudou de categoria, treinou, se dedicou mentalmente, espiritualmente e fisicamente.

E chegou ao campeonato deste ano com a convicção de que o ouro já era seu.

Escreveu agradecendo pela vitória antes de lutar.

Essa é a fé que move montanhas. E que move pessoas extraordinárias.

Mas a primeira luta trouxe uma reviravolta cruel. Um golpe ilegal, o joelho virou, o estalo, a queda, a dor.

A cena que qualquer atleta teme. A vitória veio por desclassificação da oponente, mas ela saiu de cadeira de rodas — carregando dor e frustração.

E então veio o ponto de virada.

Seu marido — parceiro, incentivador, treinador da alma — a lembrou de quem ela era.

E ali, naquela mistura de dor e propósito, ela decidiu continuar.

Voltou. Lutou mais duas vezes. E venceu.

Tornou-se campeã mundial.

Mas esse título não nasceu ontem. Ele nasceu quando ela enfrentou o câncer. Quando perdeu sonhos e reconstruiu outros. Quando confiou em Deus no silêncio dos dias difíceis. Quando escolheu não desistir de si mesma.

Como educador, empreendedor e fundador da SEDA, eu digo com convicção: a verdadeira formação não está na sala de aula — ela aparece na vida.

E histórias como essa nos lembram que nossa missão sempre foi formar pessoas capazes de viver, crescer e superar.

Ela não é apenas campeã mundial no jiu-jitsu. Ela é campeã da própria vida.

E eu me orgulho profundamente de ter visto um pedaço dessa jornada começar dentro da SEDA.

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