Desde quando fundei a SEDA, testemunhei milhares de estudantes desembarcando na Irlanda com um misto de empolgação e incerteza. Muitos chegavam cheios de sonhos, mas também com o olhar apreensivo de quem acabou de deixar tudo para trás.

Havia o medo da solidão, o receio do idioma, a insegurança de não saber se dariam conta. Esse medo é legítimo — e, na verdade, é o ponto de partida de quase todas as histórias que realmente transformam.

Com o tempo, aprendi que o que diferencia quem vence não é a ausência de medo, mas a disposição de seguir mesmo com ele.

O medo, ao contrário do que costumamos pensar, não é inimigo da coragem.

Ele é parte dela. O primeiro dia de aula, a primeira conversa em inglês, o primeiro “não” em uma entrevista de emprego — cada uma dessas experiências desafia a autoconfiança e coloca o aluno diante de suas próprias limitações.

Mas é também aí que nasce o aprendizado mais profundo. A educação, quando vivida longe de casa, deixa de ser apenas sobre conteúdos e passa a ser sobre identidade. 

Aprender um idioma em outro país é, antes de tudo, um processo de reconstrução pessoal: é reaprender a errar, a pedir ajuda, a se comunicar de forma vulnerável.

E é justamente nesse desconforto que a confiança começa a ser construída.

Em cada sala de aula da SEDA, sempre há alguém que começa em silêncio. No início, a timidez domina, e o medo parece um muro intransponível.

Mas, aos poucos, esse mesmo estudante começa a se arriscar: pergunta, participa, arranha as primeiras frases, se permite rir dos próprios erros.

E, quase sem perceber, transforma o medo em movimento. Esse é o ponto de virada que mais me inspira: ver a coragem nascendo do cotidiano, nas pequenas decisões que parecem simples, mas exigem imensa força interna.

A cada passo, o medo perde espaço, e a autoconfiança floresce.

Esses estudantes me ensinaram algo que carrego também na vida como empreendedor: a confiança não vem antes da ação, vem durante o processo.

Quem espera se sentir pronto, nunca começa. O aprendizado — seja no idioma, no trabalho ou nos negócios — acontece enquanto nos movimentamos.

O medo, quando compreendido e enfrentado, deixa de ser um obstáculo e se torna combustível. É ele que nos mantém alertas, conscientes e, paradoxalmente, vivos.

Ver um aluno que chegou inseguro discursar em inglês diante de uma plateia, meses depois, é uma das maiores recompensas do meu trabalho.

É a prova de que o medo, quando enfrentado com propósito, se transforma em poder.

Cada história como essa reforça minha crença de que a educação é muito mais do que o domínio de uma língua — é um caminho de autoconhecimento e superação.

E, no fim, é isso que todos nós buscamos: a coragem de continuar, mesmo quando ainda estamos tremendo por dentro.

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