O esporte tem uma capacidade rara de revelar caminhos onde antes só havia limites. Mas isso só acontece quando talento encontra estrutura, disciplina e constância.

No último fim de semana, em Lisboa, essa combinação ficou evidente com a conquista de dois jovens atletas brasileiros no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu.

Mais do que medalhas, o que vimos ali foi o resultado inevitável de um processo bem conduzido.

Kauê H. e Kawan não surgiram prontos.

Eles vieram de um projeto social no Rio de Janeiro, construíram base no tatame, enfrentaram frustrações e aprenderam a não desistir quando o cenário parecia desfavorável.

Chegar ao Europeu não foi simples. Foram três tentativas frustradas, renúncias, dores e incertezas. Em vez de abandonar o sonho, eles decidiram amadurecê-lo.

O double gold conquistado em Lisboa — ouro na categoria e no absoluto, faixa roxa — é expressivo. Mas não pelo pódio em si.

Ele é expressivo porque representa excelência construída no silêncio. Técnica treinada à exaustão. Mente preparada para pressão. Emoção controlada quando tudo pesa.

Esse tipo de resultado não nasce de um bom fim de semana. Nasce de anos de constância.

Nada disso teria acontecido sem a base formada no Instituto JSBJJ, em parceria com a 3V Jiu-Jitsu.

Projetos sociais como esse não “produzem campeões”. Eles constroem pessoas. Criam ambiente, rotina, pertencimento e direção.

O tatame vira escola de vida. Disciplina deixa de ser discurso e passa a ser prática diária.

Também é impossível ignorar o papel de quem lidera esse processo. Professores como Michel Boiteux e Juliana Taparica não formam apenas atletas tecnicamente preparados. 

Formam pessoas emocionalmente estruturadas.

Valores como responsabilidade, respeito e persistência são ensinados com a mesma importância que qualquer técnica.

Outro ponto que merece destaque: essa vitória não é individual. Ela é coletiva. Famílias que sustentaram o sonho quando a desistência parecia mais fácil.

Amigos, apoiadores, rifas, vendas, pequenos gestos que, somados, mantiveram o projeto vivo. O pódio é só a parte visível de um trabalho que acontece longe dos holofotes.

Essa história deixa uma lição clara: quando o propósito encontra oportunidade, o talento aparece.

E quando o processo é respeitado, o resultado se torna inevitável.

Mais do que medalhas, essa conquista prova algo simples e poderoso: investir em pessoas transforma realidades.

E sonhos, quando bem cuidados, atravessam oceanos.

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