Ao longo dos anos, vi muitos alunos chegarem à SEDA com o mesmo olhar: o de quem carrega um sonho na mala e a coragem de começar do zero em outro país.
Mas, de vez em quando, surge uma história que me faz lembrar, com força renovada, por que a educação e o esporte caminham tão bem juntos.
A história do Eric é uma delas.
O Eric chegou à Irlanda sem falar inglês — como tantos outros brasileiros que decidem dar o primeiro passo em busca de uma vida melhor.
No início, enfrentou as mesmas dificuldades que conheço bem: a barreira do idioma, o frio, a distância de casa, o medo de não se adaptar.
Mas ele também trouxe consigo algo que sempre admirei em quem vence: disciplina e propósito.
Foi essa combinação que o levou a encontrar na SEDA o espaço para desenvolver confiança e autonomia.
O inglês deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e se tornou a chave para um novo caminho — um caminho que o levou a se tornar professor de Jiu-Jitsu e mentor de jovens atletas.
Recentemente, o Eric foi homenageado pela Embaixada do Brasil na Irlanda por seu trabalho com um grupo de crianças durante o Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu Sem Kimono.
O projeto que ele liderou uniu esporte, disciplina e integração cultural, e se transformou em um verdadeiro exemplo de impacto social.
As crianças, preparadas com dedicação e respeito, representaram o Brasil com orgulho e mostraram que o tatame pode ser muito mais do que um espaço de luta — pode ser um espaço de formação.
Quando recebi a notícia da homenagem, senti o mesmo orgulho de um treinador vendo seu atleta alcançar o pódio.
Não porque a SEDA buscasse reconhecimento, mas porque essa é a essência do que fazemos: criar oportunidades reais de transformação.
O Eric usou o idioma, o aprendizado e os valores que cultivou na Irlanda para multiplicar o bem, para inspirar jovens, para representar o Brasil com dignidade.
Histórias como a dele provam que a educação e o esporte compartilham o mesmo princípio: ambos ensinam a cair e levantar, a respeitar o outro, a persistir quando tudo parece difícil.
E, acima de tudo, ambos formam seres humanos mais fortes, mais conscientes e mais preparados para o mundo.
O reconhecimento da Embaixada é apenas o reflexo de algo muito maior — do poder que nasce quando alguém decide se reinventar com propósito.
E é por isso que, toda vez que vejo um aluno cruzando as portas da SEDA, lembro que não estamos apenas ensinando inglês.
Estamos, de algum modo, ajudando a escrever histórias como a do Eric — histórias que começam pequenas, mas que acabam inspirando o mundo.




