Por vários anos, eu associei o sucesso à clareza: metas bem definidas, planos detalhados, caminhos previsíveis.
Acreditava que crescer era saber exatamente para onde ir. No entanto, a vida — e especialmente o empreendedorismo — me mostraram o contrário.
Descobri que o verdadeiro autoconhecimento nasce no terreno da incerteza, e que, às vezes, é preciso se perder um pouco para se encontrar de verdade.
Quando deixei o Brasil para viver na Irlanda, carregava comigo um sonho, mas também uma porção de certezas que logo deixariam de fazer sentido.
Chegar a um país novo, com uma cultura e uma língua diferentes, foi como desembarcar em outro eu.
De repente, tudo o que me definia até ali parecia distante: os códigos, as referências, a sensação de pertencimento.
Aquele desencontro foi desconfortável, mas essencial.
Perder-me de mim mesmo foi o primeiro passo para compreender quem eu realmente era — e quem eu ainda podia me tornar.
Há um tipo de sabedoria que só o vazio oferece. Quando nos perdemos, somos obrigados a silenciar as respostas automáticas e a revisitar as perguntas que evitamos.
É nesse espaço de confusão que a clareza começa a nascer. Foi assim comigo.
As certezas que me sustentavam precisaram ruir para que novas perspectivas pudessem se erguer.
Aprendi que não existe reencontro verdadeiro sem antes passar pela experiência da perda — e que, por trás de cada desorientação, há um convite para o amadurecimento.
A SEDA nasceu dessa travessia. No início, não havia um plano infalível, apenas o desejo sincero de criar oportunidades para quem, como eu, havia deixado tudo para trás.
Entre erros, ajustes e recomeços, entendi que o caminho do propósito é tudo menos linear.
É feito de dúvidas, pausas e redirecionamentos.
Mas foi justamente nos momentos de confusão que encontrei a direção mais autêntica: transformar a educação em um instrumento de mudança real.
Perder-se, percebi, não é fracassar. É permitir-se desmontar para reconstruir de forma mais consciente. É um processo doloroso, mas profundamente humano.
Porque, ao contrário do que costumamos imaginar, se encontrar não é retornar ao ponto de partida — é enxergar o que ficou no caminho e, a partir disso, escolher seguir de forma diferente.
Hoje, compreendo que os períodos de desorientação foram os mais férteis da minha jornada. Eles me ensinaram a valorizar o silêncio, a paciência e o poder de recomeçar.
Se perder foi o preço que paguei para crescer de verdade.
E, olhando agora, percebo que valeu a pena — porque foi nesse processo que encontrei algo que nenhum plano poderia me dar: a minha própria essência.




