Por muito tempo, eu acreditei que crescer significava acelerar. Que quanto mais rápido eu andasse, mais perto chegaria dos meus objetivos.

Trabalhar mais, fazer mais, pensar em mais ideias. E, durante anos, essa mentalidade me impulsionou. Conquistei resultados, abri caminhos, vi a SEDA se expandir.

Mas também aprendi — da forma mais dura — que crescimento não é apenas sobre movimento. É também sobre pausa.

O empreendedorismo tem uma armadilha silenciosa: ele te convence de que parar é perder tempo.

Que todo minuto parado é uma oportunidade desperdiçada. Só que, na prática, é o contrário.

Quando estamos sempre acelerando, deixamos de enxergar o que realmente está à nossa frente.

A pressa distorce a percepção. A mente cansada começa a confundir urgência com importância, e o que era propósito vira rotina.

Demorei para entender que desacelerar não é desistir — é recalibrar. É ter coragem de olhar para dentro, questionar o rumo e fazer ajustes antes que o caminho perca o sentido. 

Lembro de momentos em que o ritmo da SEDA era tão intenso que eu não conseguia comemorar as conquistas.

Cada meta atingida era imediatamente substituída por outra. Foi preciso parar para perceber que o verdadeiro crescimento não acontece na velocidade, mas na consciência.

Desacelerar me ensinou a valorizar o tempo de maturação das ideias.

A entender que nem toda oportunidade precisa ser agarrada, e que dizer “não” também é uma forma de seguir em frente.

Quando tirei o pé do acelerador, ganhei clareza. Passei a ouvir melhor minha equipe, meus alunos e, principalmente, a mim mesmo. Descobri que, às vezes, é no silêncio que nascem as respostas mais valiosas.

A pausa tem um papel essencial na construção de qualquer coisa duradoura. É nela que processamos o aprendizado, que transformamos experiência em sabedoria.

E isso vale tanto para os negócios quanto para a vida. Crescer rápido pode te levar longe, mas crescer bem é o que te mantém de pé. A diferença está em saber equilibrar o ritmo — correr quando for hora de agir e parar quando for hora de refletir.

Hoje, eu acredito que desacelerar é uma forma de respeitar o próprio processo. É reconhecer que o caminho importa tanto quanto o destino.

É entender que o sucesso que chega rápido demais costuma ir embora na mesma velocidade. O crescimento verdadeiro não se mede pela pressa, mas pela profundidade.

Por isso, desacelerar não é um luxo. É uma necessidade. É o que permite que a gente continue crescendo com mais propósito, mais lucidez e, principalmente, mais paz.

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