Eu sempre gostei de observar como a lógica e o comportamento humano se misturam.
E um dos exemplos que mais me marcou é o famoso problema de Monty Hall, aquele desafio matemático que ficou conhecido por confundir até os maiores gênios.
À primeira vista, ele parece apenas um jogo de probabilidades, mas com o tempo percebi que, na verdade, ele fala sobre algo muito mais profundo: nossa dificuldade em lidar com mudanças.
Para quem não conhece, o problema é simples: imagine que você está em um programa de TV e precisa escolher uma das três portas.
Atrás de uma delas está um prêmio; atrás das outras, nada. Você escolhe uma.
O apresentador, que sabe onde está o prêmio, abre uma das duas portas restantes e mostra que ela está vazia.
Em seguida, ele te faz uma pergunta: “Quer manter sua escolha ou mudar?”
A maioria das pessoas insiste em manter a escolha inicial, acreditando que, estatisticamente, mudar mantém as mesmas chances.
Só que não. Mudar dobra suas chances. E isso é comprovado pelo estatisticamente e conhecido como o Problema de Monty Hall.
E é aí que está a lição. A resistência a mudar não é racional — é emocional.
A gente se apega ao que escolheu porque mudar é admitir que talvez a primeira decisão não tenha sido a melhor.
E no mundo dos negócios, das carreiras e da vida, essa dinâmica se repete o tempo todo.
Quantas vezes insistimos em caminhos que já não fazem sentido apenas porque foi por ali que começamos?
Empreender me ensinou que mudar de escolha não é sinal de incerteza, é sinal de inteligência.
Assim como no problema de Monty Hall, a vida nos dá novas informações o tempo todo. O que parecia certo no início pode deixar de fazer sentido quando o contexto muda.
E ignorar isso é o mesmo que escolher perder, só porque temos medo de parecer incoerentes.
Quando fundei a SEDA, precisei mudar de planos várias vezes. Modelos de negócio, estratégias, formatos de ensino — nada ficou igual por muito tempo.
No começo, cada mudança parecia uma confissão de erro.
Hoje, entendo que foi justamente essa flexibilidade que nos manteve vivos. Persistir é importante, mas adaptar-se é vital.
O problema de Monty Hall me ensinou que mudar não é recomeçar do zero, é recomeçar com aprendizado.
É entender que o valor está na capacidade de recalcular a rota, de reconhecer que a primeira escolha não define o destino.
A vida recompensa quem tem coragem de rever decisões — não quem insiste nelas por orgulho.
No fim, as mudanças que mais transformaram minha trajetória foram justamente aquelas que, no início, pareciam contradições.
E talvez seja esse o maior ensinamento do jogo: às vezes, abrir mão da primeira escolha é o único caminho para chegar ao prêmio certo.




