Comecei a treinar jiu-jitsu depois de muitos anos empreendendo. Já havia passado por crises, recomeços, decisões difíceis — mas foi no tatame que percebi o quanto o esporte reflete a vida de quem constrói algo do zero.

O jiu-jitsu não me ensinou a empreender. Ele me fez entender melhor o que já vivia todos os dias.

No tatame, o ego não tem lugar. Você pode chegar cheio de títulos, experiências ou conquistas, mas basta o primeiro treino para perceber que ali dentro todos estão aprendendo, todos estão expostos.

No empreendedorismo é igual. O mercado não se importa com quem você foi, apenas com o que você é capaz de fazer agora.

E essa consciência traz humildade — o tipo de humildade que te mantém com os pés no chão mesmo quando tudo começa a dar certo.

O jiu-jitsu também me ensinou sobre ritmo. Nem toda luta se vence com força, e nem toda empresa cresce com pressa.

Há momentos de ataque e momentos de defesa. Há situações em que recuar é a única forma de encontrar o espaço certo para avançar.

Aprendi a respeitar o tempo das coisas, das pessoas, dos resultados, da maturidade. E percebi que o verdadeiro domínio, tanto no tatame quanto nos negócios, vem da calma em meio ao caos.

Outra lição é sobre consistência. No jiu-jitsu, a evolução não acontece de um dia para o outro. Ela é o resultado de repetições silenciosas, de erros corrigidos pouco a pouco, de paciência com o próprio processo.

Construir uma empresa é a mesma coisa: o sucesso raramente nasce de um golpe certeiro, mas da disciplina de quem aparece todos os dias, mesmo quando não há aplausos.

E, por fim, o jiu-jitsu me ensinou algo essencial sobre liderança:

Você só cresce de verdade quando aprende a usar a força do outro a favor da construção, não da disputa.

Empresas sólidas não se sustentam na competição constante, mas na colaboração e no respeito mútuo.

Hoje, entendo que o tatame é uma metáfora perfeita para o empreendedorismo.

Em ambos, a vitória não está em dominar o adversário, mas em dominar a si mesmo — suas emoções, seus impulsos, seus medos.

E quando você aprende a fazer isso, percebe que construir uma empresa é, antes de tudo, um treino diário de equilíbrio, disciplina e autoconhecimento.

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