Durante muito tempo, eu achei que ser percebido como inteligente era uma vantagem. Querer dar a melhor resposta, participar de todas as discussões, mostrar repertório, provar que estava preparado.

Parecia importante, até perceber o quanto isso atrapalhava.

Porque querer parecer inteligente é muito diferente de querer evoluir.

Quando você está preocupado em parecer inteligente, começa a evitar situações em que pode errar.

Evita perguntas que possam soar básicas. Evita admitir que não sabe. Evita se expor ao aprendizado real.

E o aprendizado real exige exatamente o contrário.

O dia em que você para de tentar parecer inteligente é o dia em que começa a fazer perguntas melhores.

Perguntas simples, diretas, sem medo de julgamento. Perguntas que aceleram entendimento em vez de proteger o ego.

Algo curioso acontece nesse momento: a pressão diminui. Você não precisa mais ter resposta para tudo. Não precisa defender opinião a qualquer custo.

Não precisa transformar toda conversa em demonstração de conhecimento.

Você passa a ouvir mais. E ouvir muda tudo.

Escutar com atenção revela nuances que antes passavam despercebidas. Mostra pontos de vista diferentes.

Expõe lacunas que você não sabia que existiam. E é exatamente nessas lacunas que o crescimento acontece.

Outra mudança importante é a relação com o erro. Quando o objetivo deixa de ser parecer inteligente, errar deixa de ser ameaça e passa a ser ferramenta.

Feedback deixa de ferir o ego e passa a orientar o processo.

No ambiente profissional, isso cria algo raro: abertura para aprender rápido. Pessoas confiáveis não são as que sabem tudo, mas as que aprendem rápido, ajustam rotas e evoluem sem resistência.

Parar de querer parecer inteligente também muda a forma como você trabalha em equipe. 

O foco sai da performance individual e vai para o resultado coletivo. O objetivo deixa de ser estar certo e passa a ser resolver.

E resolver é sempre mais valioso do que impressionar.

No fim, querer parecer inteligente é um jogo de curto prazo. Aprender de verdade é um compromisso de longo prazo.

O curioso é que, quando você para de tentar parecer inteligente, as pessoas começam a confiar mais em você. Não pela aparência, mas pela postura.

Porque maturidade não é ter todas as respostas. É ter coragem de buscar as respostas certas.

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