Antigamente eu associava produtividade a volume. Quanto mais coisas eu fazia, mais avançado eu achava que estava.
Agenda cheia, várias frentes abertas, múltiplos projetos rodando ao mesmo tempo. A sensação era de movimento constante.
O problema é que movimento não é progresso.
Tentar fazer tudo ao mesmo tempo cria uma ilusão de eficiência, mas, na prática, fragmenta energia, atenção e qualidade.
Você até começa muita coisa, mas termina pouca. E o que é feito raramente atinge o nível que poderia.
Foi quando parei para observar meus próprios resultados que percebi algo desconfortável: eu estava ocupado o dia inteiro, mas não necessariamente evoluindo.
Foco não é fazer mais. É fazer menos, com profundidade.
Quando decidi reduzir frentes, priorizar de verdade e aceitar que algumas coisas teriam que esperar, algo mudou.
A execução ficou mais clara. As entregas melhoraram. O estresse diminuiu. E, paradoxalmente, os resultados cresceram.
Porque qualidade exige presença. E presença não se divide.
Existe um custo invisível em trocar de tarefa o tempo todo. Cada mudança exige energia mental, reajuste de contexto e perda de concentração.
No fim do dia, você trabalhou muito, mas produziu pouco do que realmente importa.
Aprendi também que tentar fazer tudo ao mesmo tempo é, muitas vezes, uma forma de fugir do essencial.
É mais confortável espalhar esforço do que encarar a responsabilidade de escolher o que realmente merece atenção.
Só que maturidade profissional é exatamente isso: escolher. Dizer não. Assumir que foco significa renúncia.
No mercado, quem cresce de forma consistente não é quem abraça todas as oportunidades, mas quem protege a própria energia para as poucas coisas que realmente movem o ponteiro. O resto é ruído.
Hoje, antes de aceitar algo novo, a pergunta que faço é: isso aproxima ou afasta do objetivo principal? Se afasta, não entra.
Porque no fim, fazer tudo ao mesmo tempo não é ambição. É dispersão.
E resultados relevantes raramente nascem da dispersão.
Eles nascem do foco sustentado, dia após dia, naquilo que realmente importa.




