Durante muito tempo, o cansaço era uma reclamação constante. Agenda cheia, responsabilidades aumentando, pressão por resultado.
Era fácil transformar o cansaço em justificativa para desacelerar, adiar ou reduzir o ritmo.
Até perceber que o problema não era o cansaço em si.
O problema era a forma como eu lidava com ele.
Existe uma diferença grande entre estar cansado e estar perdido. O cansaço faz parte de qualquer processo de crescimento.
Ele aparece quando a responsabilidade aumenta, quando o padrão sobe, quando o nível de exigência muda. É um sinal de esforço contínuo, não necessariamente de erro.
Mas quando o cansaço vira discurso constante, ele começa a ocupar espaço demais. Passa a justificar decisões, a influenciar postura e, aos poucos, vira identidade.
Foi nesse ponto que a mudança aconteceu. Parei de perguntar “como evitar o cansaço?” e comecei a perguntar “como aprender a avançar apesar dele?”.
Crescer exige energia. Exige repetição, foco, responsabilidade e constância. Esperar que esse caminho seja confortável o tempo todo é criar uma expectativa irreal.
Isso não significa ignorar limites ou romantizar excesso.
Significa entender que desconforto faz parte da construção. Que nem todo dia será leve. Que nem todo esforço será recompensado imediatamente.
Quando parei de reclamar do cansaço, algo mudou. A energia deixou de ser gasta na queixa e passou a ser usada na execução. O foco saiu do incômodo e voltou para o processo.
Também ficou mais claro que o cansaço não desaparece quando você para.
Ele apenas muda de forma. Vira frustração, sensação de estagnação, arrependimento por não ter avançado. E esse tipo de cansaço pesa ainda mais.
O cansaço do progresso é diferente. Ele vem acompanhado de movimento, aprendizado e evolução. Pode ser difícil, mas tem direção.
No fim, crescer não é evitar o cansaço. É aprender a conviver com ele sem transformar isso em desculpa.
Porque o caminho não fica mais fácil quando você para de reclamar. Mas fica muito mais claro quando você decide continuar.




