Todo fim de ano me faz pensar no quanto a gente vive no modo automático.
Vamos empilhando metas, planos, entregas e, muitas vezes, esquecemos de parar para entender o que realmente fez sentido.
A virada do ano, pra mim, sempre foi menos sobre comemorar e mais sobre refletir.
É o momento de olhar para trás com honestidade e para frente com propósito.
Porque, no fim das contas, crescer não é só cumprir metas: é aprender com o caminho que te trouxe até aqui.
Aprendi que revisar metas é um ato de maturidade. É entender que nem tudo o que planejamos faz mais sentido hoje.
E tudo bem. A vida muda, o mercado muda, nós mudamos. Metas não são promessas imutáveis; são bússolas que nos ajudam a ajustar o rumo.
Às vezes, é preciso ter coragem para admitir que uma meta cumprida não trouxe satisfação — e que uma meta abandonada abriu espaço para algo mais verdadeiro.
Nos primeiros anos da SEDA, eu era obcecado por números. Queria crescer rápido, expandir, provar que era possível empreender fora do Brasil.
E conseguimos. Mas, com o tempo, percebi que metas sem propósito são como viagens sem destino: cansam, mas não transformam.
Foi só quando comecei a alinhar as metas aos valores — e não apenas aos resultados — que o crescimento passou a ter significado.
O fim do ano é um convite para isso: reconectar o propósito com a direção. Perguntar-se o que realmente importa.
O que você quer continuar construindo? O que precisa encerrar? O que merece começar? Porque o recomeço não é um rompimento com o passado, é um aperfeiçoamento dele.
É quando você pega tudo o que aprendeu — os acertos e, principalmente, os erros — e transforma em base para um novo ciclo.
Também aprendi que traçar um novo capítulo exige leveza. Não é sobre fazer listas intermináveis de resoluções, mas sobre escolher poucas coisas e fazê-las com verdade.
O excesso de metas nos distancia da essência. Quando você aprende a simplificar, a clareza aparece.
E com ela que vem a paz de saber que está caminhando na direção certa, mesmo que o caminho ainda esteja sendo desenhado.
Hoje, olho para cada virada de ano como uma oportunidade de agradecer e ajustar. Agradecer por ter chegado até aqui, e ajustar o que precisa de mais coerência e propósito.
Porque o tempo não espera, mas ensina e o aprendizado mais valioso é saber usar o que passou para escrever melhor o que vem depois.
No fim, não é sobre mudar o ano, é sobre mudar o olhar.
Porque todo novo capítulo começa quando a gente decide que é hora de escrever com mais consciência, mais verdade e mais propósito.




