É comum ouvir que o problema é a falta de oportunidade.

Falta de tempo, de recurso, de apoio, de contexto ideal. Sempre parece existir um fator externo explicando por que algo ainda não aconteceu.

Mas, com o tempo, eu comecei a perceber um padrão desconfortável: muitas vezes não é falta de oportunidade. É excesso de desculpas.

É mais fácil culpar o cenário do que assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.

Claro que contexto importa. Nem todo mundo parte do mesmo ponto. Nem todo caminho é simples. Inclusive o meu, não foi fácil.

Eu deixei uma profissão no Brasil e vim com a cara e coragem para a Irlanda. E, mesmo no Brasil, tive que lidar com condições bastante adversas para poder estudar.

Por isso, digo que dentro de qualquer realidade, sempre existem pequenas ações possíveis. E é aí que a diferença começa a aparecer.

Enquanto alguns gastam energia explicando por que não conseguem, outros usam a mesma energia para avançar com o que têm.

Desculpas são sedutoras porque protegem o ego. Elas preservam a narrativa de que “eu conseguiria, se pudesse”. O problema é que essa narrativa não gera resultado nenhum. Ela só adia decisões.

O mercado não recompensa justificativas. Recompensa execução.

Muitas vezes, a oportunidade já está ali, mas ela vem disfarçada de esforço, desconforto e trabalho repetitivo. E muita gente ignora porque esperava algo mais glamouroso, mais fácil, mais “perfeito”.

Só que o crescimento quase nunca chega em formato ideal. Ele aparece como responsabilidade extra, como tarefa difícil, como problema para resolver.

Quem espera a oportunidade perfeita normalmente deixa passar as reais.

Outro ponto é que desculpas criam paralisia. Cada justificativa reduz um pouco a própria responsabilidade.

E quanto menos responsabilidade você assume, menos controle tem sobre o próprio resultado.

Quando você troca desculpas por compromisso, algo muda.

O foco sai do que falta e vai para o que pode ser feito hoje. Pequeno, imperfeito, mas possível. E esse movimento, repetido diariamente, acumula vantagem.

No fim, a diferença raramente está no acesso. Está na postura.

Porque quase sempre existe alguém, no mesmo cenário, com os mesmos recursos, avançando. Não porque teve sorte. Mas porque decidiu parar de justificar e começar a agir.

Às vezes não é falta de oportunidade. É só a escolha de não aproveitar a que já está na sua frente.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here