Durante muito tempo, a palavra “crescimento” esteve associada à ideia de velocidade. Crescer era acelerar. Era fazer mais e chegar primeiro.
Mas depois de anos empreendendo fora do Brasil, liderando pessoas em diferentes culturas e enfrentando desafios que exigiram muito mais do que estratégia, eu aprendi uma verdade que mudou tudo: crescer, de verdade, exige saber desacelerar.
Quando estamos sempre correndo, deixamos de observar o que realmente importa.
Perdemos sensibilidade para as pessoas, para os sinais, para as mudanças que estão vindo.
O piloto automático faz com que o caminho seja percorrido, mas sem que a jornada seja compreendida.
E sem compreensão, não há evolução, apenas repetição.
Desacelerar não é fraqueza, é inteligência.
É o momento em que você se permite pensar antes de reagir, escolher antes de ser empurrado, olhar o propósito antes da próxima meta.
Como líder, percebi que as melhores decisões que tomei, as mais estratégicas, as mais humanas, não vieram no auge do movimento, mas no silêncio entre uma ação e outra.
A pressa cria ruído. A pausa cria clareza.
Hoje, quando observo o mercado global, vejo empresas fazendo de tudo para acelerar.
E vejo poucas se preparando para sustentar. A velocidade pode até te colocar na frente, mas só a consciência te mantém lá.
Desacelerar também é um ato de cuidado.
Com o negócio, com o propósito e, principalmente, com as pessoas. Ninguém entrega o seu melhor quando vive no limite o tempo todo.
Uma equipe precisa respirar para continuar acreditando. Um líder precisa respirar para continuar enxergando.
E nós, como indivíduos, precisamos respirar para continuar sendo quem somos.
Porque o crescimento que custa a nossa essência é, no fim, apenas um tipo muito sofisticado de perda.
O mundo vai continuar acelerando. As demandas vão aumentar. As distrações vão se multiplicar.
Mas o que vai diferenciar os líderes do futuro não será a capacidade de correr, será a capacidade de pausar, ajustar a rota e seguir com intenção.
Portanto, desacelerar não nos afasta do crescimento. Nos aproxima dele.
Porque é na pausa que a visão amadurece, o propósito se alinha e o próximo passo deixa de ser impulso e passa a ser escolha.




